Resenha de Mario Alex Rosa

Resenha de Mario Alex Rosa

Conforme a nova edição de "Mallarmargem - 50 anos" encontra leitores e novas mãos que a acolham, recebemos mensagens inspiradoras, hoje compartilhamos um trecho de uma bela resenha de Mario Alex Rosa:

Dois Lançamentos

Neste ano turvo com tantas perdas de pessoas no mundo em tão pouco tempo fica difícil comentar e chamar atenção para lançamentos de livros de poesia, falar de projetos diferenciados de editoras novas e com modesta projeção no mercado editorial. É como se os livros fossem somente uma distração, quando sabemos que não são. Mas os livros resistem e eles podem continuar iluminando nossas mãos como livros para sempre.

Já correndo o risco de deixar diversas outras editoras mais “alternativas” e mesmo tantos outros livros de fora desta resenha, ficaremos apenas em duas editoras e dois livros. A primeira, de fato, é uma editora que já vem se consolidando com projetos e temas diversificados no seu catálogo. A outra não chega a ser uma editora propriamente dita, com seus procedimentos tradicionais. Diria que para além do artesanal, no melhor sentido dessa palavra, são seres raros tipografando livros da melhor qualidade, com tiragens limitadíssimas. E como se não bastasse passear os dedos sobre os tipos móveis impressos
sobre papéis admiráveis, ainda nos tiram o sossego dos nossos bolsos. Assim penso a edição impecável do Mallarmagem editado, impresso todo em tipografia pelas mãos de dois tipógrafos, o veterano Senhor Matias, com aquela barba à la Karl Marx, mostrando a árdua e prazerosa arte de tipografar. O outro é o designer Flávio Vignoli, um jovem maduro e desassossegado com seus diversos projetos metidos entre papéis e maquinários tipográficos.

O Mallarmagem (2020), reapresentado agora pela Tipografia do Zé, é um projeto que comemora os cinquenta anos da edição do primeiro Mallarmagem (1970) editado pelas mãos do tipógrafo-poeta Cleber Teixeira, com sua Editora Noa Noa, em Florianópolis. Editora que corajosamente publicou essencialmente poesia. Os livros da Noa Noa no geral sempre foram com projetos sem muitas experimentações gráficas, no entanto, marcaram um modo singular cuja simplicidade é a essência de quem soube combinar o clássico sem deixar de ser moderno. Se puder definir o projeto de Cleber Teixeira, diria com suas próprias e belas palavras: “eu sinto, ao compor, o peso das palavras”. A nova edição, diferente em vários sentidos da primeira da Noa Noa, vem acompanhada de uma apresentação cuidadosa do poeta Júlio Castañon e de um belo texto/poema do poeta Augusto de Campos, em homenagem ao tipógrafo-poeta Cleber Teixeira. Além dessas, há outras surpresas como a forte impressão do poema “Brinde”, de Mallarmé. Quer razão maior para brindar essa nova edição? A tiragem é só de 250 exemplares.
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